| ARTIGOS O neoliberalismo chegou ao final? artigo do Deputado Waldyr Pugliesi publicado na Gazeta do Paraná (26/09/08) (*) Waldyr Pugliesi O presidente Lula se despediu da Assembléia Geral da ONU esta semana em Nova Iorque (Estados Unidos) com uma frase emblemática. Lula decretou de forma para que todos pudessem ouvir o fim do neoliberalismo econômico. Na visão do presidente, o “populismo nacionalista” dos países ricos para uma espécie de “jogatina” que acelerou o processo de deterioração deste ciclo nefasto para todos os povos. Diante deste quadro vem a cabeça algumas questões: será mesmo o fim do neoliberalismo econômico? Quais as lições que este sistema deixou para os brasileiros e o mundo? Nas explanações que fez na ONU o presidente Lula deixou bem claro que mesmo com a turbulência que vem abalando o sistema financeiro mundial, a economia brasileira permaneceu estável. Ele também fez questão de destacar que estes fatos todos demonstram que é necessário também no sistema financeiro ter seriedade e ética, o mesmo dever de todos os cidadãos comuns. Não custa lembrar que o neoliberalismo econômico é responsável direto por muitas crueldades que ocorreram e ainda ocorrem no mundo. Nas últimas décadas à influência dos Estados Unidos e países da Europa levou milhões de pessoas em todos os continentes a completa exclusão social. Os africanos morrendo por falta de comida, as invasões do Afeganistão e do Iraque e o embargo econômico a Cuba são só alguns exemplo. No Paraná e no Brasil o neoliberalismo econômico se manifestou principalmente numa política entreguista. Quantos bens que foram construídos com o dinheiro do povo hoje estão nas mãos dos grandes grupos econômicos? A Vale do Rio Doce, a nossa Companhia Siderúrgica, foi privatizada e rende milhões para seus acionistas, que estão investindo o faturamento bem longe da nossa Nação. No Paraná os exemplos ainda estão muito presentes na memória da nossa população. O Banestado, o Banco do Estado do Paraná, foi literalmente doado para a iniciativa privada. Primeiro quebraram o banco, depois adquiriram um financiamento para sanar o banco, possibilitando assim a privatização. Pior, as prestações ainda vão sangrar por muitos anos milhões do dinheiro público do Paraná. Tentaram vender a Copel, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica, mas foram impedidos graças à mobilização da população, que não se calou diante daquele absurdo. E nesta batida venderam também a Ferroeste, a ferrovia construída com dinheiro do Governo do Estado, que precisou da intervenção da Justiça para voltar à gestão pública. A Sanepar foi parar nas mãos de um grupo francês e o Porto de Paranaguá estava quebrado, pronto para a privatização. Vale lembrar que a Copel pública se tornou altamente rentável, recursos que fatalmente iriam para a conta bancária dos grandes grupos econômicos, ao invés de baratear a taxa de energia elétrica no Estado. Sanepar, Ferroeste e Porto de Paranaguá, que retornaram às mãos dos paranaenses graças à intervenção muito forte do governador Roberto Requião, são outros exemplos de como a gestão pública pode melhorar a eficiência de empresas que são estratégicas para o bem estar da população. Portanto, está correto o presidente quando diz que o neoliberalismo econômico está acabado. O Brasil hoje tem um papel de protagonista no contexto internacional, declarou Lula. E em função disto tem todo o direito de cobrar dos organismos internacionais propostas para contornar a atual crise financeira. *Waldyr Pugliesi é deputado estadual, líder do PMDB na Assembléia Legislativa e presidente do Diretório Estadual do PMDB. |