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Pronunciamento do deputado Waldyr Pugliesi na sessão desta segunda-feira (29 de março)
Lembro-me que tínhamos ferrovias que foram destruídas, senhores trabalhadores, porque os Estados Unidos da América, de uma maneira ou de outra até hoje nossos patrões, tinham o petróleo que era extraído do seu próprio território ou roubado de outras nações
Senhor presidente, senhoras e senhores deputados:
Esta questão suscitada pelo deputado (Valdir) Rossoni poderia nos levar até um momento profundo de reflexão, porque vivi toda esta história. Se nós recuarmos no tempo, vamos ver que o rodoviarismo implantado aqui é filho da roubalheira internacional do imperialismo norte-americano.
Lembro-me que tínhamos ferrovias que foram destruídas, senhores trabalhadores, porque os Estados Unidos da América, de uma maneira ou de outra até hoje nossos patrões, tinham o petróleo que era extraído do seu próprio território ou roubado de outras nações.
Os americanos fabricavam os caminhões, os pneus, o diesel, o combustível. Então, era preciso se fazer a retirada dos trilhos e fazermos as estradas. Pois bem, essas coisas aconteceram, mas muita gente não quer nem saber das razões que nos levaram a uma dependência histórica, muitas vezes até de séculos, e as coisas continuam mais ou menos desta maneira.
Senhor presidente, senhores deputados, lembro que aqui desta tribuna, muitas vezes, o deputado (Orlando) Pessuti trouxe fotografias das nossas estradas, no tempo do governo que nos antecedeu, mostrando o grande plantio de bananeiras nos buracos das estradas e muito pé de milho plantado.
Acho que até esta plantação, em forma irônica de se mostrar o desgoverno que nós tínhamos, deve ter levado até ao aumento da produção agrícola aqui neste estado, deputado Jonas Guimarães.
Pois bem, mas o Requião me convoca, me pede para ir para a Secretaria dos Transportes. Nós tínhamos 4,2 mil quilômetros detonados, destruídos, e fizemos um grande trabalho. Logicamente, não estou duvidando das condições relatadas, aqui, que têm as nossas estradas.
Agora, é preciso que não se tenha medo nenhum de nada, que se convoque quem tenha que ser convocado, do Governo Federal, do Governo Estadual, para dar as explicações, que não são explicações que devem ser dadas somente para os parlamentares que estão aqui, mas para o conjunto da população paranaense. Espero que seja desta maneira.
O Péricles (de Mello) falou do golpe militar, rapidamente. Trabalhadores que estão aqui, aquilo que aconteceu em 1964, na realidade, foi uma contrarrevolução. O povo brasileiro estava se organizando.
Lembro-me que ainda muito jovem, no dia em que se detonou o golpe militar, saí da Vila Aparecida lá no meu município de Arapongas, juntamente com os trabalhadores do sindicato dos ensacadores e carregadores de café, e fomos para as ruas, mas toda elite governante deste país e do município estava reunida no centro da cidade, na frente da prefeitura, dando todo apoio ao golpe militar.
Bom, estou falando estas coisas para pontualmente colocarmos alguma coisa.
Agora, trabalhadores que estão aqui, o que vou falar a respeito das 40 horas? Eu era constituinte, tínhamos na época uma jornada de trabalho de 48 horas, e lembro que parlamentares da esquerda como eu sempre me situei, parlamentares do PT, do PCdoB, e alguns outros de outros partidos, trabalhamos no sentido da implantação das quarenta horas, já naquela época, da década de (19)80.
E até hoje não conseguimos ainda implantar, aqui, no país, as 40 horas e a conversa é a de sempre: o patronato não vai tolerar, não vai poder suportar o regime das 40 horas, como também dizem que não podem suportar o piso salarial implantado, aqui, no Paraná.
Mas, na prática, temos exatamente o contrário, do que falavam; “olha, a implantação do novo piso regional vai provocar desemprego”. Mentira, na prática, se empregou muito mais gente. Haverá inflação? Pelo contrário, a inflação caiu.
Então, me lembro do tempo do senhor Delfin Neto, quando ministro era do regime militar, a argumentação das elites, daqueles que mandam neste paíos há 500 anos, continua sendo a mesma.
E nós precisamos trabalhar sem parar no sentido contrário, porque é fácil você raciocinar da seguinte maneira: quando chega o 13º salário, o que vemos nos país?
A movimentação da atividade econômica, se vende, se compra, se fabrica, se produz. E agora com a chegada do novo piso salarial do Paraná, o maior do país, vamos ter a injeção, mensalmente, de R$ 150 milhões na economia.
E isto vai fazer mal para quem? Para o Paraná? Não. Para os trabalhadores? Não. Aqueles que ainda não têm a proteção, espero que todos possam ter a proteção necessária para serem todos trabalhadores formais, na realidade serão extremamente beneficiados.
Portanto, não acredito que tenha um deputado ou deputada nesta Casa que irá se colocar contra a implantação do novo piso regional do salário mínimo, que é um benefício que estamos aguardando, porque como já se provocou, na prática, ele faz bem à saúde do Paraná.
Então, o PMDB, como sempre, pelo menos o PMDB de verdade, aquele que não se corrompeu na longa caminhada, aquele que não se entregou, aquele que quer candidatura própria à presidência da República, aquele que quer disputar as eleições, aqui, no Paraná, esse PMDB estará nas ruas ao lado dos trabalhadores, para que possamos ter , sim, já , daqui a pouco, o novo piso salarial.
A luta pelas 40 horas deve continuar sem parar.
Muito obrigado!
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