NOTÍCIAS
Pronunciamento do deputado Waldyr Pugliesi na sessão de quinta-feira (10)
Uma das boas notícias que poderíamos dizer para todos que temos aqui no país, se avizinhando à eleição presidencial, é que pela primeira vez o pensamento do atraso, o pensamento que promove, vamos dizer, vantagens para minorias, não estará presente
Senhor presidente, senhoras e senhores deputados:
Vocês todos que estão assistindo esse canal de televisão (TV Sinal) acabaram de ver uma decisão democrática. Estava com a palavra o deputado (Luiz Cláudio) Romanelli, líder do governo, e de maneira muito democrática decidiram que eu deveria vir aqui a essa tribuna.
Mas, deputado Reni Pereira, deputados desta casa, o deputado Jocelito Canto fez uma colocação muito apropriada nesta tarde falando das origens dos candidatos ao governo do Estado. Em seguida o deputado Péricles (de Mello) embasou de maneira muito consistente um pronunciamento com marcas profundas na ideologia.
Me parece que essas discussões, elas devem ser feitas de maneira mais constante nesta casa. Uma das boas notícias que poderíamos dizer para todos que temos aqui no país, se avizinhando à eleição presidencial, é que pela primeira vez o pensamento do atraso, o pensamento que promove, vamos dizer, vantagens para minorias, não estará presente.
Vamos ver o quadro: Quem é Marina Silva? Marina Silva é alguém que está com uma proposta muito apropriada para esse momento da vida nacional.
Se falarmos até do candidato Ciro Gomes, ele não tem uma posição, poderia dizer, de direita, de maneira nenhuma; ele também empalma posições ideológicas que apontam na direção daquilo que falei, nós não teremos, deputado Reni Pereira, não teremos nessa eleição presidencial aquele pensamento atrasado da extrema direita, que quer impor a vida da nação às suas convicções, que são todas elas ultrapassadas.
O (José) Serra, nosso companheiro de luta estudantil, exilado, é um belíssimo candidato ideologicamente falando, mesmo se levando em conta os desvios que aconteceram nessa caminhada. Aqui se falou, o Péricles fez uma afirmação que tenho repetido sempre, o PSDB, que defende o neoliberalismo, não é um partido direitista, ele é um partido usado pela extrema direita para alcançar os seus objetivos.
E o nosso PMDB, presidente Nelson Justus, é um partido multifacetado, ele tem um arcoíris ideológico muito amplo, mas a idéia central, a idéia que predomina dentro do PMDB, pelo menos no seu ideário, é a idéia do avanço, da conquista popular, da eliminação das desigualdades, essa coisa toda.
Então, parece, mesmo aqui no Paraná, analisando todos os candidatos que possivelmente concorrerão e no Brasil, parece que estamos vivendo um momento de grandes avanços. Aqueles agrupamentos interpartidários que pretendem eternizar vantagens, privilégios, essas minorias não estarão decidindo as próximas eleições.
Aqui no Paraná, no momento do fragor da batalha, as pessoas decidirão, de maneira racional, que depois de tantos e tantos avanços, o recuo é inadmissível.
Vejam bem, quando a elite dirigente do meu partido PMDB tomou algumas medidas, no meu entendimento, antidemocráticas, maquiavélicas poderia dizer, antecipando uma eleição da direção nacional tirando a possibilidade de manobra de todos nós. Logicamente que deveríamos nos insurgir contra isso.
Talvez tenha sido eu o primeiro dirigente do Brasil do PMDB que se insurgiu em relação a essas manobras que uma cúpula minoritária diante dos milhões de militantes do partido tomou. O que aconteceu na prática? Elegeram uma direção que está correndo para se entregar à candidatura da Dilma Rousseff.
Não é esse o problema de falarmos que não queremos apoiar a ministra. Nós queremos um rumo. Queremos um programa de desenvolvimento para o Brasil. Queremos um programa de desenvolvimento para o Brasil. Queremos discutir as questões cruciais que a nação está enfrentando.
Então, em junho, quando tivermos a convenção estaremos lá, espero que se as coisas não caminhem em sentido contrário, para colocarmos a pré-candidatura do companheiro Roberto Requião à presidência da República. E aí sim os militantes do PMDB de todo o Brasil poderão se manifestar.
Mas o que não podemos aceitar, definitivamente, que as coisas sejam decididas, muitas vezes, por meia dúzia de pessoas que se reúnem, olham os seus interesses, olham a divisão de possíveis governos e encaminham essa questão.
Aí o que é que acontece? Uma propaganda maciça e massiva faz com que aquelas coisas que estão erroneamente colocadas pareçam com as coisas que devem ser aceitas por todos. Então, estava falando com o deputado Jocelito Canto, vejam bem, o (José) Richa governador veio do PMDB, como eu; o Alvaro (Dias) do PMDB, o Osmar (Dias) do PMDB, Pessutão (Orlando Pessuti) do PMDB.
Então, somos uma organização partidária que produz lideranças. E compete a população, na hora da decisão. Fazer uma análise profunda dessas questões e tomar a decisão. O que interessa mais ao Paraná? Quais as propostas melhores e embasadas na história e que tenha previsão de se conquistar no futuro? Aí todos serão chamados.
Agora, gostei muito dessa reunião. O deputado Péricles chegou aqui e quero repetir, na sua presença, o que falei, vossa excelência pronunciou aqui um discurso embasado teoricamente, ideologicamente, mostrando aquilo que muitos milhões de brasileiros pensam.
Então, o que pretendemos? Que a direita, aqueles que fabricam fome, miséria, desemprego, não voltem aos governos.
Veja, deputado Péricles e demais deputadas e deputados, companheiros que estão aqui, essa questão da implantação do mínimo regional, quais eram os argumentos? Desde Delfim Neto, “vamos fazer o bolo crescer e, depois, vamos reparti-lo.”.
Não fizeram o bolo crescer e, pelo contrário, através do arrocho salarial que um regime discricionário impôs, fez com que a mortalidade infantil aumentasse. AS mães que estavam gerando filhos, muitas vezes, geraram filhos deficientes, porque não acumulavam a necessária quantia de alimentos para gerar brasileiros sadios. Então, é um desgraça.
Fala-se o quê? “Olha, o novo salário mínimo vai fazer com que o desemprego aumente.”. Na prática, o que aconteceu, presidente Nelson Justus? Não houve desemprego no Paraná, cresceu mais no Paraná do que no resto do Brasil. Nós tivemos distribuição de renda, diminuímos as desigualdades.
Então, a argumentação que o novo salário mínimo vai provocar desemprego não tem sustentação na prática. É só todo mundo querendo pegar os dados, que estão à disposição de todos, para dizer que as coisas exatamente caminharam no sentido contrário.
Veja bem, na hora da dificuldade, aqui no Paraná, o que o governo Requião/Pessuti, o governo do PMDB com os nossos parceiros fez? O governo fez investimentos. O que o presidente Lula fez no Brasil? Fez investimentos. Na hora da dificuldade você tira o dinheiro? Na hora que o cidadão está doente você tira o remédio? Isso é coisa do passado e não volta nunca mais, sob qualquer governo, seja ele o qual for. É essa questão que temos que discutir.
As coisas não acontecem por si mesmas. O homem abre o caminho. Olha o machismo. O homem, a mulher, logicamente que fica compreendido assim: os seres humanos abrem os caminhos. As coisas não acontecem por acontecer.
Tenho na minha vida política isso. Por que uma pequena cidade do norte do Paraná, que não tinha vocação nenhuma, como a minha cidade de Arapongas não tinha para indústria, por que é uma das cidades mais industrializadas entre todas que temos? Por que houve uma decisão política, houve vontade política, houve estudo para se fazer esse encaminhamento.
Então, olha, estamos diante de um grande estado, de um grande país e aprendi, senhor presidente, que diminuir, querer fazer com que os adversários não tenham valor, é um erro muito grande. Vivi muito isso. Nós do MDB éramos meia-dúzia de vereadores no Paraná e o que falavam de nós é que não éramos brasileiros, que éramos comunistas e queríamos destruir este país.
Perseveramos na nossa luta, nas nossas convicções e mostramos àqueles, inclusive, que nunca acreditaram em nós, que tínhamos o nosso valor. Então, o Paraná tem toda a competência para manter tudo àquilo que foi conquistado. É o que espero que aconteça do ano que vem em diante.
Muito obrigado.
|