NOTÍCIAS
Pronunciamento do deputado Waldyr Pugliesi na sessão de terça-feira, 9 de março de 2010
E como vi a chegada também vi a partida da ditadura miliar. E nós do PMDB tivemos fundamental importância nesses acontecimentos
Senhora presidente (Cida Borghetti), parlamentares. Que bom vê-la na presidência, ainda todos nós comemorando o Dia Internacional da Mulher.
Senhora presidente, estou aqui na tribuna para fazer até um registro a respeito de acontecimentos brasileiros e nesses dias Tancredo Neves completaria 100 anos de vida. Bom, antes de mais nada, deputados, gostaria de dizer o seguinte: vi a chegada da ditadura militar, na contra-revolução que foi deflagrada no dia 31 de março.
E como vi a chegada também vi a partida da ditadura miliar. E nós do PMDB tivemos fundamental importância nesses acontecimentos. Lembro que quando discutíamos essas questões defendi uma posição muito clara, estávamos fazendo monumentais comícios pela realização das Diretas Já.
E tinha como convicção que aqueles milhões de brasileiros que estavam nas ruas para aclamar por eleições diretas na realidade conseguiram este intento.
Então, era alguém dentro do PMDB contrário a ida ao colégio eleitoral, onde teríamos uma batalha entre o Tancredo Neves e o Paulo Maluf. Eu acreditava portanto, nas eleições diretas, porque ai sim, poderíamos formatar um governo plural, mas que na sua diferenciação poderia abrigar todo mundo no sentido de realizarmos as mudanças que eram tão necessárias a vida brasileira.
Pois bem, nada disso aconteceu. E na realidade o presidente eleito Tancredo Neves, acabou depois de ser escolhido de maneira indireta, acabou tendo a programação de uma imensa viagem, poderemos dizer assim.
Seria no meu entendimento de ver a sagração da sua eleição após a existência de um regime militar. Porque os militares estavam aí a espera de voltarem, com um novo golpe, a comandar essa nação.
O presidente Tancredo Neves se encaminhou mundo afora para receber apoiamentos de líderes mundiais que na realidade diriam ao presidente recém-eleito indiretamente: “Olha, vamos em frente que não terão coragem de golpear as instituições e defenestrá-lo da presidência da República”.
E o (Rubens) Ricupero que era embaixador, foi ministro da Fazenda o Rubens Ricupero e está lançando um livro onde ele conta estes acontecidos.
As impressões totalmente favoráveis que eles tiveram do Felipe Gonçalves, um monumental estadista produzido pelo povo espanhol, na substituição daquele ditador sanguinário que foi o (Francisco) Franco. Ele falou com (François) Mitterrand, falou com o (Ronald) Regan, que era presidente dos Estados Unidos.
Mas o que quero relatar aqui a todos vocês é aquilo que aconteceu no Vaticano, porque foram visitar o Papa João Paulo II. Como é próprio muitas vezes de determinados políticos, eles se desdobram em mesuras em fazer com que possam ser extremamente agradáveis. E depois da conversa que tiveram com o Papa, eles foram conversar e foram recebidos pelo Cardeal (Agostino) Casaroli – secretário de Estado do Vaticano.
O presidente como é presidente mineiro e faria 100 anos, mas talvez ele tenha passado 50 anos fazendo média com todo mundo, porque era próprio do presidente Tancredo ou do senador, ou do governador Tancredo dizer o seguinte: - quando alguém perguntava – o Paulo Maluf? Ele respondia – um grande brasileiro que prestou inestimáveis serviços a pátria; e fulano de tal? - um grande brasileiro que prestou inestimáveis serviços à pátria.
A conversa dele com o Cardeal Casaroli no Vaticano, foi mais ou menos nesse sentido.
O presidente eleito adotou no início da conversa, esse é o relato escrito e manuscrito pelo Ricupero. O presidente eleito anotou no início da conversa temas e tons que naturalmente imaginara que seriam do agrado de um Cardeal idoso, dos mais poderosos da Cúria Romana.
Eminência – falou Tancredo – “Viemos aqui eu e minha mulher e minha comitiva trazer ao Santo Padre a comovida expressão do sentimento mais sincero da devoção e da filial obediência do povo brasileiro. A nossa população é muito sofrida e ainda numerosos brasileiros vivem em estado de lamentável pobreza. São os atributos da fervorosa fé católica e viva religiosidade que explicam a resignação com que a população brasileira suporta adversidade e o sofrimento”.
Palavras do presidente Tancredo. Olha o que o Cardeal falou para ele. “O velho Cardeal secretário ouviu tudo com atenção e mesma nota de unção e formalismo, replicou usando palavras parecidas, mas se encaminhando a uma conclusão bem diferente: senhor presidente, tenho a certeza que o Santo Padre terá colhido com grande alegria esse fervoroso testemunho, mas é preciso senhor presidente nunca esquecer que a fé, profunda e religiosidade são sempre admiráveis, mas não bastam. É necessário igualmente agir para mudar a situação, melhorar as condições de vida do povo brasileiro, não só resignar-se. É preciso realizar a reforma agrária e as demais reformas sociais aconselháveis. Tancredo Neves foi lá fazer média dizendo que estávamos resignados, agachados na nossa fé, na nossa religiosidade”.
E foi o próprio Vaticano que falou para ele – não basta isso. É preciso agir, ter ação, é preciso ter as reformas, estas reformas que estamos fazendo aqui no Par aná, sob o comando do companheiro Roberto Requião, do Pessutão (Orlando Pessuti) e de todos aqueles que estão nos ajudando.
Como é chato terminarmos! Mas, é isto. É a regra. Eu não me resigno, não. Fico sempre com uma rebeldia dentro de mim. Acho que é isto, companheiros, que me faz fazer esta longa caminhada, de cabeça erguida.
Muito obrigado!
|